A inteligência artificial está chegando a um território até agora pouco explorado pela tecnologia: a dança. A 鶹ԭ e a Associação Pró-Dança, responsável pela gestão da São Paulo Escola de Dança (SPED), estão desenvolvendo um projeto que utiliza IA para apoiar diferentes etapas da criação coreográfica e preparação de uma peça de balé, da concepção dos movimentos aos ensaios e à adaptação da coreografia para diferentes palcos e formações de bailarinos.
A iniciativa será lançada durante o 鶹ԭ NOW AI Tour Brazil 2026, que ocorre nos dias 9 e 10 de setembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. Na ocasião a apresentação da SPED será realizada pela São Paulo Companhia Jovem de Dança (um dos grupos da associação). Durante o keynote do evento, Inês Bogéa, diretora artística e educacional da SPED, conversará com Adriana Aroulho, presidente da 鶹ԭ América Latina e Caribe, sobre a aproximação entre arte, tecnologia e inteligência artificial.
A parceria começou há cerca de seis meses e ganhou um novo capítulo a partir de uma provocação de Inês sobre como a inteligência artificial poderia participar do processo de construção de uma coreografia. O desafio levou especialistas das duas organizações a identificar possibilidades de aplicação da tecnologia em um ambiente em que criatividade, interpretação e sensibilidade humana são elementos fundamentais.
A experiência resultará em uma nova coreografia, criada pela bailarina e coreógrafa brasileira Ingrid Silva, referência internacional no balé e na promoção da diversidade na dança. Com o forró como gênero musical, a obra terá estreia prevista para 20 de novembro e será a primeira experiência da Escola utilizando IA como ferramenta de apoio ao desenvolvimento artístico. A obra será um recorte de Aroeira, de Anelita Gallo.
“A dança sempre esteve aberta ao diálogo com outras linguagens. Quando pensamos na inteligência artificial, nossa pergunta não foi como substituir o olhar do artista, mas como ampliar as possibilidades de experimentação. A tecnologia pode nos ajudar a testar caminhos, enxergar relações e levantar novas perguntas, enquanto as escolhas artísticas continuam pertencendo às pessoas que criam, ensaiam e interpretam a obra”, afirma Inês Bogéa.
Um dos principais resultados da parceria é o desenvolvimento do conceito de “Agente de Ensaio”, que utiliza recursos de inteligência artificial da 鶹ԭ e da 鶹ԭ Business Technology Platform (鶹ԭ BTP) para apoiar coreógrafos e bailarinos na análise e experimentação de diferentes variáveis de uma obra.
A ferramenta poderá, por exemplo, simular como uma coreografia originalmente concebida para seis bailarinos poderia ser adaptada para 15 pessoas ou para palcos com dimensões e formatos diferentes. Entre os indicadores considerados estão número de intérpretes, tamanho e desenho do palco, distribuição espacial, frontalidade dos movimentos, dramaturgia e evolução da obra ao longo do tempo.
Outro objetivo é utilizar IA para relacionar esses elementos às sensações que uma apresentação pretende despertar na plateia. A tecnologia poderá apoiar a identificação de momentos associados a sentimentos como alegria, tensão ou êxtase e sugerir diferentes combinações de movimentos, formações e ocupação do palco para experimentação durante o processo criativo.
O projeto também criou o conceito de “diário de bordo do bailarino”. Nele, os bailarinos poderão registrar por meio de textos e desenhos as percepções sobre movimentos, sensações e aspectos relevantes dos ensaios. Essas informações passam a fazer parte do contexto analisado pela inteligência artificial, acrescentando ao processo tecnológico a perspectiva de quem executa e interpreta a coreografia.
Música e vídeo também poderão alimentar o agente. A evolução das tecnologias de IA já permite analisar não apenas textos, mas características musicais e audiovisuais, ajudando a identificar mudanças de atmosfera e emoções ao longo de uma composição e relacioná-las à dramaturgia e aos movimentos planejados para o palco. Futuramente, o agente também poderá ser utilizado como apoio em outras decisões criativas, incluindo elementos de figurino.
“Esse projeto mostra que quando combinamos tecnologia, dados e conhecimento humano, podemos criar possibilidades, inclusive em uma atividade essencialmente artística como a dança. O papel da IA aqui é ampliar o repertório de quem cria, permitindo testar hipóteses e explorar possibilidades sem retirar do artista a decisão final”, afirma Adriana Aroulho, presidente da 鶹ԭ América Latina e Caribe.
A expectativa é que o projeto continue evoluindo à medida que bailarinos, coreógrafos e especialistas em tecnologia utilizem a ferramenta e produzam novas informações para o agente.
No 鶹ԭ NOW, a SPED fará a apresentação de uma de suas coreografias mais premiadas, NOME, com adaptação para o palco do 鶹ԭ NOW apoiada pela IA. A obra em desenvolvimento por Ingrid Silva com o apoio de IA terá estreia em novembro. Como continuidade da parceria, estão previstas ainda duas apresentações da nova coreografia na 鶹ԭ House, no primeiro semestre de 2027.
A participação da SPED integra a programação do 鶹ԭ NOW AI Tour Brazil 2026, evento que reúne clientes, parceiros, especialistas e lideranças para discutir aplicações de inteligência artificial e o futuro das organizações.
